Reflexões

Nunca estaremos prontos

Porque já estamos prontos

4 min de leitura

Passamos a vida inteira esperando o momento perfeito para fazer aquilo que mais queremos — e que mais temos medo.

Ter um filho.
Mudar de carreira.
Começar um blog.
Aprender a pilotar um avião.
Ter aquela conversa com seu companheiro sobre o futuro.

Durante essa espera, acabamos não enxergando que o momento perfeito passa por nós o tempo todo.

É o agora.

A espera pelo momento perfeito

Se pararmos para pensar, nunca estaremos prontos para tudo que queremos ser ou fazer na vida.

Muitas vezes, teremos que agir mesmo sentindo a chamada “crise do impostor”.

Em verdade, sempre seremos um pouco “impostores”, porque uma situação nunca é exatamente igual às anteriores.

Um cirurgião renomado nunca operou o coração dessa mesma pessoa, nesse estado de espírito, sentindo-se um pouco pesado por ter exagerado no café da manhã e tendo dormido duas horas a menos porque seu bebê estava com cólicas.

Todo show de uma banda com 40 anos de carreira é único para aquele público, naquele horário e naquele local.

O quinto filho da família é totalmente diferente dos quatro primeiros.

Os pais estão sempre vivendo situações inéditas.

Agir como se soubéssemos

Com efeito, devemos agir como se soubéssemos o que estamos fazendo em muitas situações corriqueiras.

Do contrário, ficaríamos paralisados até no momento de escolher a fonte do texto para o primeiro post do blog.

Alguns entendem essa atitude como:

“Fake it until you make it.”

Ou seja: finja até conseguir fazer.

Mas é muito mais do que fingir.

É sermos corajosos o suficiente para admitir nossa vulnerabilidade e agir não apesar dela, mas por causa dela.

O risco de não decidir

Afinal, sempre pensamos no pior que pode acontecer caso tomemos uma determinada decisão.

Mas já paramos para pensar no que pode dar errado caso não tomemos decisão alguma por causa dos nossos medos?

Já paramos para pensar qual é o melhor que pode acontecer caso tomemos a decisão que nos dá medo?

Nem sempre conseguimos definir o que sentimos quando estamos prestes a tomar uma decisão importante.

Medo se confunde com excitação.
Confusão se confunde com curiosidade.
Tristeza se confunde com raiva.

Excetuando-se algumas decisões de vida, como ter um filho, ou de morte, como pilotar um avião, a grande maioria delas pode ser tomada com o espírito de que é melhor pedir desculpas do que permissão.

Afinal, precisamos da aprovação dos outros para fazer a viagem com a qual sonhamos há anos?

Precisamos da aprovação dos outros para iniciar uma carreira nova na área pela qual somos apaixonados, mesmo sem a educação formal exigida pelo mercado?

Não é sobre frases prontas

Aqui, não se trata de “just do it” ou “siga seus sonhos” da fábrica de jargões do marketing — digo, do desenvolvimento pessoal.

Trata-se de não ter medo de ser criticado por fazer algo que você já sabe fazer, mas ainda não sabe que sabe.

E só saberá quando esse saber for colocado em prática.

Autoconfiança de verdade

Autoconfiança não é ter certeza de que teremos sucesso em qualquer empreendimento.

Autoconfiança é ter certeza de que iremos fracassar inúmeras vezes e, ainda assim, lidar bem com isso.

Cada fracasso vira um pontinho a mais na escala infinita de aprendizado.

Devemos encarar projetos e decisões não apenas pensando na probabilidade e no retorno do sucesso, mas também em aprendizado e construção de relacionamentos.

Assim, sairemos vencedores sem depender de um resultado que nem sempre controlamos.

No fim

Nunca estaremos prontos.

Porque já somos prontos.

Gostou desse ensaio?

Assine a newsletter para receber novas reflexões sobre hábitos, rotina, parentalidade, carreira e vida consciente.

Você pode sair quando quiser. O desconforto é opcional, o spam não.