Felicidade
Talvez a felicidade não seja algo que se busca diretamente, mas o efeito colateral de uma vida com mais propósito, presença e intenção.
Nada parece tão difícil de compreender e obter quanto a felicidade.
Parece que, quanto mais a buscamos, mais distante dela ficamos.
Gurus, psicólogos, cientistas e publicitários tentam encontrar a fórmula mágica que nos tornará felizes para sempre — seja pela meditação, pela terapia, pelas descobertas de componentes naturais ou pela compra daquele produto anunciado no outdoor.
A busca por uma fórmula
A verdade — se é que existe uma — é que todos temos interesses, personalidades e experiências diferentes.
Quando tentamos definir algo inefável — finalmente a leitura do dicionário me recompensou! — e aplicar a mesma regra para todos, pode funcionar para alguns.
Mas, em geral, não nos sentimos felizes por muito tempo depois que concluímos o processo de compra ou apagamos o cigarro.
Prazer não é felicidade
Isso acontece porque confundimos sensações momentâneas com felicidade.
Não me leve a mal: pequenos e grandes prazeres podem ser componentes de uma vida plena.
Mas, se estamos constantemente buscando experiências prazerosas, nos tornamos escravos dos nossos impulsos e prejudicamos nosso bem-estar no médio e no longo prazo.
Além disso, a lei dos rendimentos decrescentes faz com que tenhamos que consumir cada vez mais a substância que nos dá prazer para obter os mesmos — ou menores — resultados.
O primeiro café do dia é maravilhoso.
O segundo já nem tanto.
E o terceiro eu nem sei por que raios tomo.
Uma fórmula menos mágica
A fórmula que aplico é baseada em propósito e intenção.
Invisto meu tempo, meu dinheiro e minha atenção em fazer pequenas melhorias na minha fisiologia, no meu mindset, nos meus hábitos e na minha contribuição à vida dos outros.
Não sei dizer sempre se estou feliz em determinado momento.
Mas avalio indiretamente:
- Sinto-me energizado e motivado?
- Sinto-me metabolicamente bem nutrido?
- Consigo não me identificar mentalmente com pensamentos tóxicos?
- Estou realmente presente e conectado com a pessoa à minha frente na conversa em que estamos engajados na mesa de bar?
- Consigo planejar meu dia, cumprir as tarefas e ainda ter a sensação de estar satisfeito comigo mesmo, mesmo sabendo que há pontos de melhoria?
- Consigo utilizar o dinheiro a meu favor, em vez de deixá-lo me dominar?
- Sou capaz de viver e me alimentar de forma justa e sustentável?
- Contribuo para melhorar a vida de alguém todos os dias?
- Sou gentil nas palavras que utilizo, mesmo quando tenho vontade de mandar longe o atendente do call center da operadora de telefonia?
- Sinto-me responsável pelos meus problemas e por suas soluções?
Felicidade como consequência
Essas perguntas me ajudam a compreender o que pode significar felicidade para mim.
E elas não têm respostas definitivas.
O que hoje traz valor à minha vida pode não trazer mais em um ano.
Estar constantemente investigando minhas emoções e pensamentos traz mais clareza às minhas intenções.
E isso se traduz em mais tranquilidade, menos desejos impulsivos e relacionamentos mais harmoniosos.
Sentir-me feliz é o resultado de uma vida intencional, e não um objetivo em si.
Paradoxalmente, acho mais fácil obter a felicidade pela via indireta do que se a tratasse como uma meta.
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