Hábitos

Liberdade

Escolher também é abrir mão: às vezes, as restrições que aceitamos são justamente o que nos permitem viver com mais liberdade.

4 min de leitura

Quando somos jovens, acreditamos que liberdade é fazer tudo o que quisermos, na hora que quisermos. À medida que vamos envelhecendo (e, esperamos, amadurecendo), percebemos que isso não é liberdade, mas tirania dos nossos próprios impulsos. No limite, as crianças - e talvez muitos adultos - não sobreviveriam 10 minutos se fizessem tudo que seus impulsos ordenassem. É preciso que seja encontrado o equilíbrio entre liberdade e disciplina, que não são conceitos opostos, mas interligados e interdependentes.

Restrições também podem libertar

Restrições podem, paradoxalmente, proporcionar-nos mais liberdade. É o caso das faixas que dividem direções opostas nas estradas : sem elas, teríamos que nos preocupar constantemente se não estamos invadindo a pista oposta; com elas, sabemos que, desde que estejamos dentro dos seus limites, somos livres para dirigir mais tranquilamente e até escutar o rádio, sabendo que os motoristas vindo em direção oposta também conhecem seus limites definidos pelas linhas.

O peso de poder escolher tudo

A quantidade de opções que temos para carreira, relacionamentos e estilos de vida pode nos fazer sofrer pelo paradoxo da escolha. Vivemos em uma realidade em que as opções podem ser feitas e os resultados medidos quase que instantaneamente; temos sempre a sensação de que deveríamos estar fazendo mais, afinal podemos ser e fazer o que quisermos. Por que nos restringir a um relacionamento com apenas uma pessoa? Por que nos limitar a apenas uma faculdade ou a morar a vida inteira na mesma cidade? A liberdade que sentimos ao fazer essas perguntas vem também com o peso da responsabilidade pelo nosso destino: quando não temos escolhas, parece mais fácil aceitar a realidade como é; quando somos livres para decidir tudo a todo momento, sentimo-nos sobrecarregados com a quantidade de decisões que precisamos fazer todos os dias, mesmo as pequenas.

A sensação de estar perdendo algo

O grande problema parece nascer da sensação de estarmos “perdendo” algo quando nos limitamos a ser ou fazer apenas uma coisa. Talvez, então, limitar o número de alternativas pode, por mais estranho que pareça, oferecer-nos mais liberdade para viver o momento presente com as escolhas que fizermos, sem perder o foco por estar a todo o tempo olhando para as oportunidades perdidas. A cada momento em que estamos realizando uma atividade, estamos dizendo não para mais de 99% das outras opções.

Escolher é dizer não

Escolhas são, no limite, restrições: eliminamos praticamente todas as alternativas e focamos em apenas uma que nos parece, em um determinado momento, adequada para nossos objetivos. O melhor que podemos fazer é respeitar nossas decisões e aceitar que precisamos dizer não à maioria das opções para poder dizer sim ao que realmente alinha-se com nossos objetivos, valores e crenças – e isso é libertador.

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