Relacionamentos

Necessária e suficiente

Sobre reconhecer alguém como parte inevitável da própria história.

4 min de leitura

Eu já vi algo sobre isso nas aulas de lógica, mas esqueci quase tudo.

Toda vez que paro de estudar um assunto, demoro um tempo até relembrar. Porém, depois de algumas semanas de revisão, parece que tudo emerge outra vez das profundezas da minha mente.

Vai entender esse lance de neuroplasticidade.

Mas funciona.

Anyways, vou tentar explicar da forma que lembro:

Você é suficiente e necessária para mim.

A espera

The thing we need is never all that hard to find, they say.

Mas foi difícil.

Não posso dizer que eu não estava te esperando.

Minha cartomante de capa preta e 20 linhas por folha já me mostrava as cartas há anos. Eu só não sabia que seria exatamente como eu pensava, ou queria, ou precisava.

Não importa.

O que quero dizer é que a mão que me contou sobre ti é a mesma que continua escrevendo a nossa história.

O primeiro almoço

Quando te observei procurando o prato do dia no menu, no nosso primeiro almoço como casal (só tu ainda não sabia), mesmo que, pelas convenções sociais não opcionais, provavelmente recaísse sobre mim a conta, decidi que queria passar todo dia 11/07 ao teu lado.

Precisei ir ao toalete lavar o rosto para me recompor.

Não queria trair, na fala e no semblante, o futuro que eu já havia criado na minha mente nem sempre tão lúcida.

A lógica do começo

O fim e o meio eu já sabia.

E não havia dúvidas.

A lógica ajuda a tentar entender, mesmo que o amor talvez não seja uma ciência exata.

Misture memórias, hormônios, crenças, valores, experiências, medos e desejos.

Confronte tudo isso com os da pessoa sentada do outro lado da mesa, falando sobre o trabalho, a família e o jogo do Grêmio em que o Suárez fez três gols.

E voilà:

É o começo.

Todos os caminhos

Naquele momento, parecia que tudo o que eu havia passado antes de te conhecer tinha valido a pena.

Tudo fora a pavimentação do caminho que nos levaria ao altar 20 meses depois.

Não quero romantizar o que os filmes e séries já fazem por mim.

Talvez meu eu de 20 anos preferisse não ter aprendido.

Talvez fosse melhor ter te encontrado antes e viver tudo isso há mais tempo.

Talvez eu tivesse evitado muitas dificuldades e traumas.

Talvez, talvez, talvez.

Maybe I don’t really wanna know.

O agora

Clichês existem porque são verdadeiros.

Nada acontece por acaso.

O conhecimento só chega quando o aluno está pronto.

Que sera, sera.

E todo aquele blá-blá-blá new wave budista quer dizer, no fundo, a mesma coisa:

Só temos o agora.

E é com todos os agoras que construímos nosso presente e nosso futuro juntos, todos os dias.

Viver o agora, com a mesma intensidade e vontade.

Agora e sempre.

Talvez isso seja o amor:

Repetir os mesmos momentos com a mesma alegria da primeira vez.

Enquanto escrevo

Enquanto não encontro as palavras perfeitas para definir tudo o que senti e pensei nesses 1095 dias desde que nossas retinas se cruzaram pela primeira vez, continuo escrevendo.

No papel.

No meu coração.

E no nosso destino.

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